


Uma amiga minha disse que te viu semana passada. Não, você não a conhece, não era do seu tempo… nosso tempo. Mas, ah, ela te conhece sim. Como se eu ainda não falasse em você com uma voz de gatinha abandonada. O meu amor mais lindo e triste e infinito. Meu amor mais marcante e mais marcado. O único, se duvidar. O único que sempre me dá um nó na garganta. E quanto tempo faz mesmo? Dois, três anos?
Três anos, seis meses e dez dias.
É, meu velho hábito de contar os dias e festejar as datas mais bobas do calendário. Mas ah, eu não faço mais isso. Mal sei o dia do meu próprio aniversário agora. Você foi embora e nossos hábitos e manias também foram. Mas olha que doloroso, eu aqui contando os dias de novo. É só que você sempre é a exceção. Você é meu velho hábito. Meu velho amor.
Mas, como assim ele fez uma tatuagem? Não, ele não tinha tatuagem. Não. Então ele fez mesmo? Como é? Não, explica mais. Não acredito que ele tatuou isso. Não é uma frase da Taylor Swift? Não? Ok. Como ele tava? Qual a cor da camisa dele? Verde? Mas ele nunca usava verde. Ele tava com alguém? Você conseg… Ok. Não, eu não quero saber quantas vezes ele respirava por minuto. Não precisa ser ignorante.
Mas cá entre nós, você contou?
Ah…
Eu escrevo um texto pra você e abro a ferida. Até gosto. Por que não dói mais. Só vem a lembrança. E o que era tristeza, confusão e briga, virou uma lembrancinha inesquecível, uma saudade gostosa, uma certeza de que um dia eu pude abrir meu coração pra alguém.
E juro que pensei que depois de tanto tempo eu não iria me importar tanto com o simples fato de que uma amiga minha viu você. Convenhamos, que bobagem. Todo mundo vê todo mundo. Um dia desses eu vi uma amiga minha de maternal e não morri. Mas… só ouvir seu nome me dá um nó na garganta. E eu sinto aquela vontade de correr pro banheiro e ficar quietinha lá, sentada no chão, tentando lembrar como nós éramos e sofrer por nunca mais poder sentir aquilo de novo.
Quando falam em você eu sinto um pouco de raiva. Falar de você é sagrado. Ninguém pode tocar no seu nome de forma casual e distraída. Você é o assunto mais delicado da minha vida. Ainda me sufoca, por que eu não posso contar sobre você para o mundo. Eles não entenderiam. Você é… você. Único. Raro. Eu mal me permito pensar em você, quanto mais falar sobre. Eles não merecem saber. E eu ainda tropeço, soluço, respiro devagar e gaguejo quando tento pôr em palavras o que um dia a gente foi. Então deixa pra lá.
Eu rio da cara de quem eu amei depois e de quem eu ainda vou amar. É patético, é quase ilegal esses outros amores. Porque, depois do seu, eu acho que nunca vou encontrar mais nenhum que satisfaça, que complete, que baste. E houve aquele tempo triste que eu tentava te achar em outras pessoas. Imagina quão frustrada eu fiquei ao descobrir que não dá pra substituir o insubstituível? Foi tão difícil. Hoje não é mais. Hoje tudo o que eu quero é que você nunca vá embora. Da minha cabeça. E que as lembranças ainda permaneçam vivas. E que de vez em quando eu ainda possa me sentar no chão do banheiro, fechar os olhos e sorrir lembrando de tudo. É tão bom sentir que algo é pra sempre mesmo que já tenha acabado. (Iolanda Valentim)
E ainda tem gente que acha o neymar bonito, pff.